Escrever um perfil de aplicativo que não pareça de 2005

Perfil de aplicativo é um texto curto com uma função só: fazer a pessoa certa querer conversar e a pessoa errada seguir adiante. Quase todo perfil ruim falha por tentar agradar os dois grupos.

As três frases que não ajudam

“Não sei o que escrever aqui.” Comunica desinteresse pela própria apresentação, e é o começo mais comum que existe.

“Gosto de viajar, praia e boa comida.” Descreve praticamente toda a humanidade. Não filtra ninguém.

“Odeio gente falsa / só quero quem seja de verdade.” Soa defensivo e sugere histórico ruim mal resolvido, mesmo quando não é o caso.

A estrutura que funciona

Três blocos curtos. Primeiro, o que você faz da vida em uma frase, sem cargo pomposo. Segundo, duas ou três coisas específicas que você realmente faz nos fins de semana. Terceiro, o que você procura, dito com clareza.

Especificidade é o que faz diferença. “Toco violão mal e insisto mesmo assim” funciona muito melhor que “gosto de música”, porque cria imagem e dá gancho de conversa.

Sobre dizer o que procura

Muita gente evita, por medo de assustar. O efeito é o contrário do imaginado: quem procura o mesmo se aproxima, e quem não procura economiza o tempo dos dois.

Uma frase basta. “Procuro algo estável, sem pressa” é suficiente e não soa como cobrança.

Menções a filhos e ao ex

Filhos: vale mencionar que existem, sem detalhe. Faz parte do pacote e é melhor que apareça cedo.

Ex-cônjuge: não mencione. Não existe forma de citar um casamento anterior num perfil que não pareça mágoa, mesmo quando não há nenhuma.

Tamanho

Entre quatro e seis linhas. Perfil muito curto parece descaso; perfil longo demais parece currículo, e ninguém lê até o fim.

Um teste final

Leia o que você escreveu e pergunte: isso poderia estar no perfil de outras cem pessoas? Se puder, reescreva. O objetivo não é ser interessante para todo mundo — é ser reconhecível para alguém.

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